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Qualquer questão e interesse em  acolher a exposição, apresentação & broadcast do filme, publicação de trabalho fotográfico e outras actividades  associadas

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Fotografia & Textos © Joao Pedro Marnoto | MediaUtopia 2017

 

O AUTOR

João Pedro Marnoto 

Nascido (1975) e criado na cidade do Porto, Portugal, tendo concluído a formação académica no Reino Unido em meados dos anos 1990, desenvolveu ao longo dos anos um trabalho na área da fotografia documental em paralelo com o seu uso como meio de exploração pessoal. Estendendo as suas ferramentas de trabalho da fotografia ao vídeo, a sua abordagem pretende ser um exercício íntimo de consciencialização, com os seus projetos refletindo sobre questões de identidade e da condição humana dentro de uma perspetiva ambiental e sociológica.

 

NOTA DE AUTOR

Uma outra forma de estar

Resultado de uma série de circunstâncias pessoais mais ligadas à emoção do que à razão, pouco depois da viragem do século, a vida encaminhou-me para o nordeste de Portugal, para as terras do Douro e Trás-os-Montes, tomando assim conta da riqueza e preciosidade humana que ai resistia. Desse improvável encontro, nasceu um encantamento e sentido de responsabilidade entre mim e esse dito maravilhoso mundo, que perdura até hoje, e acredito que até sempre.

 

Com pouca hesitação, acabei por me mudar de malas e bagagens à medida que  os laços com o território se aprofundavam. Gradualmente entreguei-me a um trabalho em que acreditava, fazia sentido e dava-me chão. Tal despoletou em mim um processo de reflexão, a questionar certezas cada vez mais acomodadas na planura do mundo, e formatadas no zapping dos dias. E assim, a cidade ficava cada vez mais para lá do horizonte, e de mim.

 

Tomando partido de uma expressão popular do Douro e Trás-os-Montes, “Nove Meses de Inverno e Três de Inferno” relata uma viagem entre as gentes enraizadas na terra que lhes sustenta a fome e devotas na fé que lhes aponta aos céus. Um registo sobre um modo de viver que pressentia ser único, na vertigem do desaparecimento. Privilegiado por fazer parte das suas vivências, acabei desenvolvendo uma relação de proximidade ao ponto de me sentir em casa, e da casa fazer um lar. Como tal, sentia o dever de registar essa forma de viver, de ser, num processo igualmente de procura e redenção pessoal.

 

Tomada nos anos mais recentes por um ritmo acelerado de progresso, percebi ser uma região a viver uma modernidade tardia numa particular situação de cruzamento: Por um lado, ainda a perpetuar vestígios de um estilo de vida rural ancestral quase desaparecido na Europa Ocidental, e, por outro lado, confrontado com presentes sinais de mudança, a moldar e a desafiar o futuro. Um território com história e memória vincada, onde os laços estreitos com a natureza e a religião ainda são por demais evidentes, tão alheado dos confortos urbanos da cidade.

 

O resultado final pretende ser uma metáfora visual sobre a contemporaneidade, partindo de uma premissa e perspectiva do espaço rural: enquanto o alcatrão nas estradas e as barragens nos rios ganham terreno sobre a natureza, o homem perdura numa coexistência árdua com o meio natural, honrando um passado vincado pelo esforço e rigor tanto físico quanto espiritual, em contraste com um presente onde parece dominar uma cultura tanto de formatação como exaltação moral. Uma cultura num confronto sem piedade com novas realidades sociais e económicas, em última instância, é uma reflexão sobre a condição humana assente sobre três vértices: a relação com a Terra, a Fé e o Progresso.

 

De salientar a amizade e colaboração com a AEPGA (Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino), que desenvolve as suas atividades tanto na vertente ambiental e veterinária, particularmente sobre a raça autóctone do planalto Mirandês Miranda, o Burro de Miranda, como na vertente cultural, na promoção e divulgação do riquíssimo património da região do Nordeste Transmontano. Tive a grata e ímpar fortuna de poder conviver e trabalhar com este grupo de jovens, não só na idade, que desde o inicio me cativou pela forma apaixonada quanto séria com que se entregavam à sua missão. Maioritariamente urbanos com formação académica, a grata experiência fazia eco de um certo espírito de comunidade, mesmo que com os seus inevitáveis riscos pisados cedo ou tarde, e não obstante as óbvias dificuldades que se depara a quem quer fazer diferente. Num tempo onde grande parte foge ou já fugiu do isolamento da interioridade, tanto por necessidade e dificuldades óbvias da vida no campo, como ambicionando por sonhos que a cidade sempre faz por desejar e saciar, este grupo representava uma atitude no sentido oposto: de seguir e acreditar num caminho que nem sempre o óbvio, na procura de uma outra forma de estar, consigo e com o meio.

João Pedro Marnoto

Agradecimentos

 

Um Sincero Obrigado a todas as pessoas retratadas pela partilhada e confiança, e à Associação para o estudo e Proteção do Gado Asinino por toda a colaboração.

 

Afonso Pimentel • Agripino Augusto Gonçalves • Alexandre Meirinhos • Amândio Felício • Ana Duque Dias • Ana Ramalho • André Viegas • António Faria • António Roleira • António José Fernandes • António Martins • Bárbara Fráguas • Benjamin Martins • Bruna Moreira • Bruno Gomes • Celeste Pereira • Cláudia Costa • Dalmo Silva • Domingos dos Santos Rodrigues  • Domingues Luís Esteves  • Duarte Ferreira  • Eduarda Freitas • Ernesto José Preto • Escola Profissional de Murça • Família Magalhães (Joana, Paulo, Dra. Leonor e Sr. Delfim) • Felisbina Gonçalo Gonçalves • Félix Inocentes Delgado Antão • Fernando Seara • Filmes da Mente • Francisco Mondragão  • Frank Evers • Galandum Galundaina • Gonçalo Mota • Gonçalo Pereira • Hugo Amadeu Santos • Isabel Sá • João Pedro Machado • João Raimundo • João Brandão • Joana Braga • José Casimiro • José Jambas • José Manuel Geraldes• Jóse Maria Marcos  • Lisete Vieira • Luís Carvalho • Maçanas • Mariana Falcato Simões • Mariana Vilar • Marta Azevedo • Marta Carvalhido • Marta Ren • Manuel António (Bob) • Manuel Gomes (Manu) • Manuel Joaquim dos Santos Preto  • Manuel Meirinhos  • Matadouro Miranda do Douro • Matt Shonfeld • Miguel Nóvoa • Miguel Schreck • Moisés Pera Esteves • Nuno Martins • Nuno Miranda  •  Nuno Rocha • Nuno Ricou Salgado • Ovo Mirandês • Quim da Pedra • Óscar Fernando Sandro Martins • Paula Rios • Paulo Meirinhos • Paulo Preto • Pedro  Colaço do Rosário • Pedro Loureiro • Procur.arte • Rafael Faria • Raquel de Paiva • Richard Touret • Rita Melo •  Rita Mondragão • Roselly Arruda • Rui Silva (Gon) • Rui Quina • Sara Riso • Sara Mora • Sérgio Augusto Pereira  • Sr. Domingos de Palaçoulo • Symington • Suzana Ruano • Tiago Carvalho • Teresa Nóvoa • Tiago Pereira • Ti Adélia • Ti Ilídio • Ti Mário • Victor Santos • Victor Adam • Violeta Vilaça

 

 

Dedicado à minha família

 

EQUIPA

Realização, Direção de Fotografia, Edição,
Fotografia, Book Layout e Textos

João Pedro Marnoto

 

Música

Gonçalo Pereira

 

Video Prólogo e Assistente de Edição

Tiago Carvalho

 

Instalação Sonora e Assistente de Edição

Duarte Ferreira

 

Consultaria Gráfica

Hugo Amadeu Santos

 

Tradução e Legendagem

Pedro Ramos, Pedro Pereira e Pedro Braga Falcão

 

Revisão de Texto

Eduarda Feitas e Pedro Filipe Ramos

Impressão de Livro

Lumen

Molduras

Da Vinci

 

Website

dfm creative studio

 

Produção

MediaUtopia 

João Pedro Marnoto

Eduarda Freitas

 

Museu do Douro

Fernando Seara

João Tomé Duarte
Luis Carvalho

Maria João Fonseca

Natalia Fauvrelle

 

Com o apoio de:

Direcção Regioal de Cultura do Norte | Ministério da Cultura

Comunidade Intermunicipal do Douro

Âncora Editores

 

PERCURSO

Num trabalho que teve a sua génese em 2006 com a criação de um livro documental para o município de Alijó na região do Douro, teve ao longo dos anos inúmeras publicações e apresentações como work-in-progress: