SINOPSE

“Na viragem do século e por pouco mais de uma década, a vida encaminhou-me para as terras do Douro e Trás-os-Montes, onde acabei por viver e trabalhar. Tal despoletou um processo de introspeção, a questionar certezas cada vez mais acomodadas na planura do mundo. E assim a cidade ficava para lá do horizonte, e de mim.”

Tomando partido numa expressão popular oriunda do Douro e Trás-os-Montes, o trabalho retrata as gentes enraizadas na terra que lhes sustenta a fome e devotas na fé que lhes aponta aos céus. Inicialmente com fotografia e estendendo ao vídeo, o resultado final pretende ser uma metáfora visual sobre a contemporaneidade, partindo de uma premissa e perspectiva do espaço rural: enquanto o alcatrão nas estradas e as barragens nos rios ganham terreno sobre a natureza, o homem perdura numa coexistência árdua com o meio, honrando um passado vincado pelo esforço e rigor tanto físico quanto espiritual, em contraste com um presente onde parece dominar uma cultura tanto de formatação como exaltação moral. Uma cultura num confronto sem piedade com novas realidades sociais e económicas, em última instância, é uma reflexão sobre a condição humana assente sobre três vértices: a relação com a Terra, a Fé e o Progresso.